A Salvadora Branca e a negra ingênua

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A Salvadora Branca e a Negra Ingênua

 

Norma Diana Hamilton



Apropriação indevida

Das ideias construídas

E de bandeja servidas

Pela negra ingênua

Que procurou

Seu apoio

 

Salvadora branca

Feriu o “código da mulher”

Usando seu poder

No patriarcado

Encima da preta

Para pertencer

 

As ideias dela acolheu

Para seu próprio benefício

Apostando no silêncio

 

Projeto lançado

Sem dar o devido crédito

 

Garantiu a presença

De quem está na liderança

Não por acaso, branca essa pessoa

 

Em solenidade

Dão a legitimidade

Ao projeto da ingênua

Que ficou lá na cafua

 

Sem esquecer da token

O rosto preto de outrem

Na foto da reportagem

 

E para a real idealizadora?

Um cantinho “gratuito”

Para que fique contente

E impotente

 

No confronto

Convenceu a se mesma

De que já tinha a ideia.

Ô, Salvadora Branca,

Isso funcionou para aliviar a consciência?

 

A mim não engana

Quem te escreve

Para denunciar sua farsa

 

Não persiga sua vítima

A informação não distorça

Deixe a intenção

De desestruturá-la

Psicologicamente

Pois a ingênua

Não vai duvidar

Da própria memória

 

E tenha em mente

Mentira tem perna curta

Trabalhe sua ética

Desconstrói sua fantasia branca

De querer ser nossa salvadora

Quando na verdade

Pretende

Ser a protagonista

E nos deixar na subalternidade

 

Não se convença

De que está levando a causa

Da ingênua negra

 

Não se valha do pacto

Da branquitude

Use sua influência

Para a inclusão verdadeira

Para dar o destaque

A quem realmente merece!

 


Norma Diana Hamilton é professora do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET/IL/UnB). Doutora em Literatura e Práticas Sociais.